Ainda Bem - Marisa Monte

Ainda bem
Que agora encontrei você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você
Porque ninguém
Dava nada por mim
Quem dava, eu não tava a fim
Até desacreditei
De mim
O meu coração
Já estava acostumado
Com a solidão
Quem diria que a meu lado
Você iria ficar
Você veio pra ficar
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim
O meu coração
Já estava aposentado
Sem nenhuma ilusão
Tinha sido maltratado
Tudo se transformou
Agora você chegou
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim

Talvez não valha a pena o risco;
O nó na garganta e o aperto no coração;
Eu só estou tentando ser pessoa;
Ser pra mim;
Ser um pouco menos o lado de dentro;
Eu quero vida, chão, nuvens e cor;
Chorar em vão e rir do não;
Acordar de mãos dadas com o travesseiro;
Eu só preciso de uma dúzia de estrelas, dois girassóis e você no caminho;
O nosso caminho;
E a parte do conto que nos explicou o capítulo passado, agora, não é mais que uma passagem qualquer.
'Há um fina linha entre genialidade e loucura. Eu apaguei essa linha.' 

   -Oscar Levant

Ela até chegou a pensar que fosse ser igual.
Mas não foi, assim, como ser outra vez.
Foi como um conto, e fadas e jardins.
Ele a ama. É verdade. Pura e inocentemente.
E a quer. E é nisso que ela acredita.
E é nisso que deposita toda a esperança que tem.


Por favor, meu amor.
Me cobre com aquela coberta de lã e deita comigo.

por Motivo;

Somos; só nós.
Motivo por que somos o que somos.

Quero de volta o que deixei sem querer.
E ser mais que um simples motivo.
Ser além do que enxerguei ontem.
E passar adiante o que puder.
Seremos, de tudo um pouco.
E de nada valerá.
Ser nada em várias vezes.

Sou de mim, um pouco do mundo.
Somos assim, seja assim.
Só mais um segundo.

E posso salvar o momento.
E o motivo.
Motivo por que sou eu.
E serei mais, um pouco mais.

Fazer o sentido valer.
E o motivo de ser.
E fazer prevalecer.

Faça em mim; ser em mim.
Eu.

De Menina;

Faz rima, menina!

Em prosa, em redondilha.
Em quadro pintado, em nariz de palhaço.

Faz rima, menina!

Silabada, dedilhada.
Compassada, escancarada.

Faz rima de amor.
Faz rima de sofrimento.
Rima seu pudor
e rima seu tormento.

Faz rima, menina!

Faz rima pro mundo imundo.
Faz rima pra si, de ti.

Faz rima, menina!

Rima você, moça.
Ele, moço.
Num piquenique,
num almoço.

Faça, menina, uma rima.
De corpo, de alma.
E de coração.
De cabeça.

Ou uma oração.

Olha como somos perfeitos

Você ri de mim e me abraça;
eu fico nervosa e acho graça.
Somos completos,
incertos.
Perfeitos no canto do quarto
e no porta-retrato.

Do meu ponto de vista;
perfeitos até mesmo sem rima.
Adoro nós dois sentados no sofá;
perna com perna, pé com pé.
Somos perfeitos no sofá da sala.
Precisava somente voltar ao mesmo lugar. Estive lá por muito tempo e fui embora sem olhar o caminho. Se pudesse ser mais fácil. Seria impossível não querer estar. E a impossibilidade do presente é ser mais que um simplesmente isso. Andei dias em horas e perdi qualquer noção. Por sermos pares de agonia e uma pontada de distração. Destruímos a casa, o jardim e a última página da memória. Porque a partir deste fim, seremos o rodapé e a tradução.
 
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